A produção de A Oração foi um exercício de direção que fiz na cadeira de Direção II. Tudo o que sabia antes de pegar o texto é que tenho muito gosto com o gênero de Teatro do Absurdo. O autor Fernando Arrabal escreveu diversas peças neste gênero e sobre sua linguagem textual, foi conceituado o gênero Teatro do Pânico.
O meu caminho estético na faculdade sempre apontou para um questionamento nas relações em que as teorias e práticas de teatro estabelecem entre público e platéia e deste questionamento surgiram afinidades com alguns pensadores do teatro como Jerzy Grotowski, Eugênio Barba e Antonin Artaud. Minha intenção em A Oração foi colocar estes questionamentos na cena, por isso o cenário foi criado de modo que os espectadores vêm à cena do alto como na montagem de Grotowski de O Príncipe Constante. Traduzido na linguagem cinematográfica, este tipo de visão daria uma sensação de superioridade ao espectador, entretanto, inicialmente a idéia era de colocar os espectadores de joelho, como se estivessem rezando. Como isto reduziria muito a quantidade de público, nas três seções da peça, entraram muitas pessoas que ficavam “dependuradas” e sem espaço em cima da arquibancada. De qualquer modo retirei o conforto do assento. Outro elemento importante para causar este confronto público/cena foi o uso de espelhos, colocando o espectador com múltiplos focos da cena e de algum modo também dentro de cena, já que seus reflexos não fogem ao espelho.
No final do espetáculo, as atrizes sentavam junto ao público em foco e esperavam tocar a música Saiba de Arnaldo Antunes. A platéia ficava esperando que algo acontecesse, mas o que acontecia era a música. Penso que a montagem introduziu elementos novos a um texto que apenas lido, tira o leitor da lógica temporal sequencial, utilizada na maior parte das produções de cinema, teatro e televisão.




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