EU-Formada?

EU-Formada?
EU-Formada? foto tirada no fim da festa de formatura da turma 07.1 em Artes Cênicas_Licenciatura da UFOP, final de 2010

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Como coordenadora de Cultura do DCE-Consciência atuei do período de julho de 2009 a julho de 2010

Como coordenadora de Cultura do DCE-Consciência ajudei a projetar, produzir e executar o II Concurso de Bandas da UFOP, os Shows das bandas Bartucada, Ventania, Aliados 13 e Planta e Raiz na Calourada do primeiro semestre de 2010; produção, execução e apresentação das bandas Raiz de Jequi e O Teatro Mágico; criação produção  e execução as palestras do Cortejo de Idéias,   "Diversidade Sexual e Coisas do Gênero” e “O Eu feminino Hoje: Questões sobre a mulher na contemporaneidade”. Período de julho de 2009 a julho de 2010.


Para falar das ações no diretório é necessário uma breve contextualização da UFOP. Vivemos em uma cidade com imaginário de fraternidades; há fraternidades de Igrejas, de estudantes, de traficantes... As repúblicas estudantis seguem um sistema de hierarquia, onde quem entra deve “batalhar” de seis meses a um ano para ser morador da casa, até ser escolhido você é o bixo, e deve servir a casa, tinham que andar com placas de batalha na rua para a identificação da estética de cada moradia. Há um ideal de seguir uma tradição da casa pautada pelas regras do “decano” que é o mais fiel à tradição, pela aproximação temporal, o mais velho. Existem as repúblicas federais, as particulares, os autônomos e o a moradia social. Quando cheguei na cidade conheci um coletivo que reclamava o direito de moradias públicas com sistema social, os chamados “radicais”, porque a maioria das pessoas que moram nas “federais” eram de classe média. As particulares seguem o mesmo sistema dessas fraternidades, mas não tem humilhação dos “bixos”( é evidente que falo de um universo muito grande de moradias e não há como ter controle sobre esta afirmação), entretanto posso falar da observação da relação de diferentes modos de moradia que viam nas federais o centro do status deste modo de vida. O DCE-Consciência surgiu com a insatisfação de duas frentes, a dos radicais em minoria, e de um grupo das particulares, ocasionada por diversos estímulos, como aumento do número de estudantes com o REUNI, porque refletia diretamente na questão da moradia já que a Ouro Preto não pode aumentar seu território de construção por ser uma cidade tombada como patrimônio da humanidade.


Na gestão, conseguimos lidar com as diferenças de um grupo que representava diversos modos de lidar com o conhecimento e com diferentes posicionamentos morais. As ações propostas é que convergia nosso trabalho e que criou, assim possibilidades de relação entre afinidades e posicionamentos. Realizamos diversos eventos com o objetivo central de promover um espaço de encontro, e, portanto de comunicação entre todas as formas de pensamento que permeiam este universo, entre as áreas e os cursos (onde verificamos grande distanciamento, falta de comunicação e, portanto em variados momentos preconceito dos alunos).

Ao final da gestão havíamos conseguido realizar, palestras sobre gênero e homofobia (que é muito forte no contexto universitário), um ato público contra o aumento da passagem, que reuniu participantes de todos os agrupamentos de estudantes. Conseguimos, da vinda do Lula para a inauguração do PAC em Ouro Preto, verba para construção de trezentas moradias, fora do raio de preservação do patrimônio. Criamos, com a calourada, não apenas um espaço onde as pessoas tiveram contato com palestras com outras perspectivas de relação profissional, interligadas a movimentos de reflexão e resistência, como com outras linguagens estéticas e musicais com os almoços culturais. A festa serviu também para criar um espaço de praceamento, em que os grupos de afinidade têm contato porque o signo de festa que é muito forte entre os estudantes; entretanto esta festa fora construída para todos.


Penso que, apesar da larga divergência de perspectiva que tive e que mantenho a alguns acontecimentos, este local de atuação me amparou em reconhecer a legitimidade de existência dos mais contrários pontos de vista, ainda que discorde das estruturas em que o referencial se insere. Prevalece a lógica do respeito. E, criar junto com a diferença, ampara, reflete e enriquece as possibilidades.

No entanto, vejo que minhas ações com o espaço têm mais potência dentro do campo da Arte. Por isso, prefiro intervenções no espaço. O espaço me propõe a cada momento de relacionamento, e tenho a necessidade de propor no espaço na proporção em que a experiência afeta. E a experiência de propor variedades temporais, no tempo que me passa, possui maior potência de comunicação corporal, estética e ética.

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