EU-Formada?

EU-Formada?
EU-Formada? foto tirada no fim da festa de formatura da turma 07.1 em Artes Cênicas_Licenciatura da UFOP, final de 2010

domingo, 15 de maio de 2011

Como performer atuei em A Bolha, 2008; Do Lixo ao Luxo, 2008; A Imagem e seu Duplo, 2009; Intervençãocênica dos alunos do curso de Artes Cênicas no Campus Morro do Cruzeiro, 2009; ARTE HOJE 2010 Pixel ação_ Intervenção sonoro visual no espaço público, 2010; As Imagens e seu Duplo, 2010; Intervenção Lava-ação do Monumento Tiradentes, 2010.

As performances acima citadas marcam uma trajetória de mudança de perspectiva por linha e necessidade individual com esta linguagem. Desde que cheguei a Ouro Preto, performar me interessava porque em meu grupo anterior, possuíamos a ideologia de que esta linguagem era a mais apropriada para a necessidade de provocar o espaço. Entretanto, foi durante o processo de TCC O Jogo dos Quatro Atores e seus Respectivos Baldes ou Fragmentos de uma Quase História, que fui ter contato direto com uma prática que pesquisava um local movediço e de identidade não no modo de criar uma personagem, mas do que significava ser atriz. Não éramos personagens, mas como atores, reagíamos aos mais variados fluxos que ocorriam no espaço. Desta experiência, estabeleci uma grande parceria com Paulo Maffei, que tinha as mesmas questões e vontade de pesquisar a Performance. De um processo mais pessoal, fui para a pesquisa em grupo através da cadeira de Criação Teatral com a professora Tânia Alice e Gilson Mota, que na prática resultou na pesquisa de performances e intervenções no espaço público. Participei de duas performances criadas por Maffei, A Bolha e Jorge Pessoa, Eu não sou de plástico. Paulo é asfixionado por materiais de plástico e de uma aula de caracterização, onde ele havia criado figurinos de plástico de lixo, veio a vontade de criar um corpo coletivo de plástico, uma bolha. Na bolha tínhamos umas dez pessoas, e caminhávamos por Ouro Preto, vivendo dentro daquele espaço, que ao final estava todo pintado por dentro. Desenvolvíamos ações cotidianas, como a preparação da massa de um bolo, cuidar das bonecas que lá estavam e pintar as paredes da Bolha. Criamos um corpo pulsante de acontecimentos não públicos, dentro de um espaço ambulante e não totalmente fechado. Ao Final da performance, abrimos o conteúdo da Bolha na Praça Tiradentes e fomos enterrá-la na Igreja do Carmo.


Já o Jorge tem mania de reciclar e criar uma gama de objetos a partir do que encontra na rua e com esta demanda, projetamos uma performance que consistia em ir para a praça Tiradentes com a roupa mais chique que possuíamos e recolher a maior quantidade de lixo o possível em trinta minutos. Assim que acabamos de recolher afixamos um enorme painel no monumento e começamos a fazer uma obra de arte a partir do material recolhido. Alugamos um carro de som que tocava Mozart e Bach, enquanto desenvolvíamos a criação. Quando terminamos, deixamos a obra no monumento e o Tonico Zelador, um senhor que acreditava ter sido enviado para zelar da Praça Tiradentes, retirou logo aquela obra de lixo que havíamos construído uma sujeira e jogou em seu local, no lixo.


Em maio 2009 na Semana de Arte de Ouro Preto, Nadja Dulci, Maffei e eu fomos à palestra das autoras Líliam Amaral e Beatriz Medeiros. Saímos da mesa com um tanto de dúvidas sanadas, mas com milhares de outras questões. Apresentamos três dias depois A Imagem e se Duplo. O contato que possuíamos com a performance até então muito se influenciava nas leituras de Artaud, e com a visita das performers, atentamos para o poder conceitual desta linguagem em relação ao tempo e o espaço. Resolvemos então intervir no espaço que mais questões provocava na gente, o Instituto de Filosofia, onde os três fazíamos cadeiras naquele semestre. A performance consitiu em intervir no espaço de modo a levar nossas questões pessoais através de objetos que as identificasse, e no uso de duas câmeras, uma de registro e uma de projeção em telão no momento de ação. Junto com o olhar da câmera veio Henrique Manara como interventor registrador e performer. A idéia era criar um espaço onde as imagens se duplicariam através dos múltiplos estímulos que os objetos, de nossas interações, do olhar do público e do olhar da câmera pela perspectiva dos performers para lidar com a extrapolação de signos e com a extrapolação de imagens. Experimentar a sensação de múltiplos focos de imagem e colocar o público como participante, ainda que seja através de sua imagem projetada. Reações em cadeia das múltiplas perspectivas do público e dos performers na observação e interação com um mesmo objeto, uma mesma matéria. A performance não foi roteirizada nem teve limite de tempo, enquanto houvesse acontecimentos no espaço e corpo para acontecer, estaríamos ali. A duração foi de quase duas horas com pouca rotatividade de público. No final, muitas pessoas haviam entrado no espaço, mexido na câmera, experimentado o seu reflexo projetado, distribuído beijos, dançado.


Ainda em 2009 realizamos a IntervençãoCênica como um ato performático de protesto estético-musical dos alunos do curso de Artes Cênicas da UFOP, em relação às más condições estruturais do curso e o descaso da Universidade para com nossa área de atuação, que é sempre colocada em último lugar na ordem das necessidades acadêmicas.


Em abril de 2010 fiz parte da oficina ARTE HOJE 2010 Pixel ação_ Intervenção sonoro visual no espaço público, pela Fundação de Arte de Ouro Preto. A oficina aconteceu para realização de vídeo-instalação em um muro em baixo do restaurante O Passo, que era a fachada de uma casa com uma escada que não dava em lugar algum. Os grupos foram divididos em núcleos de roteiro, de linguagem, de performance e edição. Fiz parte do núcleo de performance e durante três dias de oficinas transformamos aquele espaço, que é como um anexo da rua, pois fica abaixo do nível da rua, dá para ver o espaço por cima da ponte, na casa do nosso corpo. Intervimos no espaço durante três dias, ocupando-o com ações corporais e ações integradas com as idéias de captação de imagem dos outros grupos, que encontrávamos ao final do dia. Nos dias 20 e 21 deste mês fizemos a intervenção sonora e visual editada sobre a fachada.


As imagens e seu duplo foi uma instalação performática com os registros fílmico e fotográfico da A Imagem e seu Duplo, depois de um ano no mesmo espaço e na mesma mostra de intervenção, a III Miscelânia da VI Semana da UFOP. Desta vez o tempo era de revisitação do trabalho pelos performers e boa parte do público que se via a um ano atrás. A sensação temporal aqui teve uma confusão entre passado e presente, porque criamos Site Specific para cada imagem através das relações temporais do agora e da lembrança. O público neste espaço foi muito mais participativo penso porque não estávamos como performers, estávamos no papel de quem realiza uma exposição do trabalho e o fato de ter de circular pelo espaço que no ano anterior era demarcado pelos objetos agora expostos, facilitou a interação de muitas pessoas que esperavam de nós uma ação espacial, um estímulo. No final, nós é que havíamos sido levados pelas ações do público.


No segundo semestre de 2010 criamos o grupo de pesquisa em performance, a fim de discutirmos e experimentarmos um Work in Progres e intervirmos em Ouro Preto. É interessante notar como toda a trajetória de experimentações teórica-prática, resultam em mim contemporaneamente, uma necessidade forte de lidar mais com a performance que pensa o espaço para intervi-lo. Dentro do grupo realizamos a Lava-Ação do Monumento Tiradentes a partir da observação grosseira acerca da sujeira que o monumento se encontrava após a morte do Tonico Zelador, então pensamos em homenageá-lo lavando o monumento. Resolvemos realizá-la durante o ENEARTE, num paralelo que reuniu além dos cinco integrantes do grupo, mais umas vinte pessoas. No sábado final do ENEARTE, dia 24, combinamos de encontrar na praça com trajes de banho, baldes e materiais de limpeza. Chamamos para a intervenção o Núcleo de Contato-improvisação e o projeto de extensão Pau e Lata da UFRN e criamos na praça um dia de diversão, parecia um clube ou uma praia em que os integrantes se divertiam em lavar o monumento. As reações dos moradores, ainda que tivéssemos levado linguagens que provocam um estranhamento como o contato improvisação para o meio da rua, foi de acolhimento da ação, porque deslocamos o sentido de forasteiros como aqueles que invadem e sustentam a economia da cidade, mas antes, fomos pessoas “de fora” que homenagearam um ouro-pretano que divertia todos os turistas na praça, contando casos, cantando músicas, o Tonico Zelador.


O caráter lúdico, ainda que de questionamento do lugar abriu frestas no tempo real de dinâmica do espaço, deslocando a praça, quase que como um lugar de lazer. Nos dias seguintes ouvíamos comentários carinhosos dos moradores e a partir de então o monumento não está mais sujo.

Ultimamente pesquiso mais as reações em intervenções que tenham potência não apenas de comunicação como de jogo entre/com o ambiente. E é neste lugar de não representação, mas vivência, que a intervenção reúne as características de trabalho realizadas até então em uma culminância de abertura de referencial no espaço e reflexo na minha construção/desconstrução com/ entre a Arte. Este memorial mesmo é um resultado do pensamento que tenho sobre meus trabalhos agora. Todos estes trabalhos foram importantes para a construção de conhecimento e de identidades que possuo hoje. Gostaria de pesquisar a vida de modo a perceber, e estar dentro do presente a todo o momento. Como isso parece impossível satisfaço na criação artística, pequenos momentos de qualidade de atenção, afetação e percepção que pretendo aumentar no uso de todas as mídias para me comunicar, corpo, escrita, apropriação de linguagem acadêmica, voz, gestos, e principalmente nos entre lugares de relação.

          Ao final de 2010 passei no Mestrado em Artes Cênicas pela UFBA e me formei em Licenciatura pela UFOP.

         Meu objeto de estudo no Projeto de Mestrado Espera: Acontecimento-Esvaziamento quando a-com/tece, para linha de pesquisa Corpo E(m) Performance em Artes Cênicas da UFBA, sob orientação de Ciane Fernandes, carrega em sua nomenclatura quatro palavras-chave para o entendimento de seu conteúdo. No título faço uma afirmação acerca do que entendo como espera. As palavras Acontecimento-esvaziamento estão unidas em relação de paralelismo, pois analiso que a espera em locais previstos a seu acontecimento, causa sensação de tempo vazio no sentido de perda para os sujeitos. Entretanto esta afirmação só procede na condicional de tempo quando não se tece em conjunto o tempo de espera, ou seja, quando a(sentido de negação)-com(em conjunto)/tece(no sentido da forma de ação a que estou me referindo no corpo do projeto). Entretanto a quinta palavra-chave intervenção escapa ao título, mas é chave por ser modo de pesquisa específico para locais de espera, em maioria, públicos.
 

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Oficinas ministradas em congressos:

Realização das oficinas em 20 e 21 de novembro de 2009 no VIII Congreso Internacional de salud Mental e Derechos Humanos pela Univerdidad Popular Madres de Plaza de Mayo do Taller: Esquizodrama da libertação. Elegia à Augusto Boal com Camila de Falco, Jorge Bichuetti e Maria de Fátima Oliveira e do Taller: A imagem e seus múltiplos.



Participação com o grupo “Eu - Pertencente” em forma de observação e oficinas em um intercâmbio cultural com a comunidade de Catas Altas, Ananindeua, em Belém durante um processo de imersão do dia 14 ao dia 16 de julho de 2010, na comunidade, através de práticas que remontaram o contexto cultural de Ouro Preto, via “Congado de Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia do Alto da Cruz”. Ainda desenvolvemos a prática na abertura do Congresso no dia 17 de julho, junto à arte-educadora Ingrid Dormien Koudela, em cima da dança realizada pelo grupo de Chico-Rei em homenagem à Senhora do Rosário e Santa Ifigênia, a dança da Taieiras. No dia 24 de julho ministrei a oficina pelo núcleo de oficinas do Projeto Mambembe Música e Teatro Itinerante. Estas práticas foram realizadas no VII Congresso Internacional de Drama/Teatro e Educação IDEA 2010, Viva a Diversidade Viva! Abraçando as Artes de Transformação em Belém do Pará, Ilhas e Comunidades da região metropolitana de Belém. 



 Em 11 de setembro de 2010 ministrei o Esquizodrama Caos, Caosmose em apoio  a Maria de Fátima Oliveira no II Congresso Internacional  Esquizoanálize e Esquizodrama, Pré-Congresso Internacional de Salud Mental e Derechos Humanos, em Uberaba-MG. Realizado pela Fundação Gregório Baremblitt de Uberaba e Belo Horizonte, Instituto Félix Guattari de Belo Horizonte e Centro Félix Guattari de Montevideo.


Atividades de oficina e comunicação no IX Congreso Internacional de salud Mental e Derechos Humanos_ Clínicas: Lógicas colectivas, devenires, resistências pela Univerdidad Popular Madres de Plaza de Mayo, de 18 a 21 de novembro. A oficina Espaço de espera: o corpo da ansiedade é um braço da pesquisa do anteprojeto de mestrado, através de um dia de prática com um público de psicólogos, psiquiatras, médicos, educadores voltado para os corpos que esperam nos serviços públicos e da mesa“CORPOEMA: Um veículo Social, Vivências de arte educação e teatro no CAPS I de Ouro Preto“, em uma comunicação do trabalho realizado na perspectiva de conexão entre Arte e Saúde Mental.

Como diretora realizei A Oração em 2009-2010:



A produção de A Oração foi um exercício de direção que fiz na cadeira de Direção II. Tudo o que sabia antes de pegar o texto é que tenho muito gosto com o gênero de Teatro do Absurdo. O autor Fernando Arrabal escreveu diversas peças neste gênero e sobre sua linguagem textual, foi conceituado o gênero Teatro do Pânico.


O meu caminho estético na faculdade sempre apontou para um questionamento nas relações em que as teorias e práticas de teatro estabelecem entre público e platéia e deste questionamento surgiram afinidades com alguns pensadores do teatro como Jerzy Grotowski, Eugênio Barba e Antonin Artaud.  Minha intenção em A Oração foi colocar estes questionamentos na cena, por isso o cenário foi criado de modo que os espectadores vêm à cena do alto como na montagem de Grotowski de O Príncipe Constante. Traduzido na linguagem cinematográfica, este tipo de visão daria uma sensação de superioridade ao espectador, entretanto, inicialmente a idéia era de colocar os espectadores de joelho, como se estivessem rezando. Como isto reduziria muito a quantidade de público, nas três seções da peça, entraram muitas pessoas que ficavam “dependuradas” e sem espaço em cima da arquibancada. De qualquer modo retirei o conforto do assento. Outro elemento importante para causar este confronto público/cena foi o uso de espelhos, colocando o espectador com múltiplos focos da cena e de algum modo também dentro de cena, já que seus reflexos não fogem ao espelho.



No final do espetáculo, as atrizes sentavam junto ao público em foco e esperavam tocar a música Saiba de Arnaldo Antunes. A platéia ficava esperando que algo acontecesse, mas o que acontecia era a música. Penso que a montagem introduziu elementos novos a um texto que apenas lido, tira o leitor da lógica temporal sequencial, utilizada na maior parte das produções de cinema, teatro e televisão.


Como professora, fiz estágio na Escola Estadual Marília de Dirceu, 2009; na Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade, dentro do Projeto de Estímulo à Doscência pela CAPES, e no CAPS I em Ouro Preto em 2010:

Minha primeira atuação como Arte-Educadora foi através do estágio na Escola Estadual Marília de Dirceu de setembro a dezembro de 2009. Já havia ministrado oficina de teatro, mas para os usuários do CAPS, não para crianças. O projeto para este colégio se chamava “Me vejo no que vejo” Redescobrindo Corpo/Espaço no Espaço Escolar, foi uma proposta com o foco nas Artes Cênicas, direcionado para alunos de segundo e terceiro anos do ensino Fundamental da Escola Estadual Marília de Dirceu. O projeto consistiu em trabalhar a expressividade do corpo/espaço[1] do aluno em relação ao espaço físico escolar, na pesquisa dos múltiplos significados que esta relação pôde suscitar. As aulas tiveram o objetivo de trabalhar as relações que cada turma e cada indivíduo estabeleciam com o espaço, na dinâmica escolar, a partir da aplicação de jogos teatrais na pesquisa de desenvolver o conhecimento corporal individual e coletivo e suas múltiplas relações com o espaço da sala de aula e da escola.



O estágio em Regência II no CAPS I é desenvolvido em oficinas de três horas semanais desde o dia seis de maio de 2010. O CAPS é uma instituição que presta serviços de atendimento psicossocial para pessoas com distúrbio mental, vinculado à Prefeitura Municipal de Ouro Preto. Este tipo de instituição surgiu a partir da “Luta Antimanicomial”, engendrada na década de 80 no Brasil, pela necessidade de tratamentos mais humanizados a esquizofrênicos, contra o enclausuramento em sanatórios, que servem de aprisionamento dos “doentes” em uma procura de cura ou de retirá-los do meio social.

O projeto consiste em trabalhar a expressividade do corpo, voz e os múltiplos sentidos dos indivíduos a fim de suscitar, aguçar e dar atenção à coletividade entre os agentes. Acredito que a comunicação humana se desenvolve por variadas vias, e que a normatividade social restringe a possibilidade de trabalhar lógicas e sentidos do corpo dos usuários. Desde pequeno, somos aculturados a fechar os sentidos, acostumados a ficar sentados, a falar em voz baixa e qualquer comportamento que foge do padrão cultural é visto como extrapolação, ‘loucura’. É claro que não afirmo aqui que a esquizofrenia é puro distúrbio comportamental. Isso seria rebaixar a dor dos usuários a padrões socialmente aceitos. O desígnio destas oficinas tem sido de experimentar com os usuários as múltiplas vias de expressão a fim de que se fortaleçam como um coletivo e expressem suas individualidades. Quanto mais lúdico é o encontro, mais eles se entregam nas atividades.



Simultaneamente ao CAPS I, ingressei no Projeto de Estímulo a Docência no início de 2010. O projeto tem como objetivo incentivar a pesquisa e o contato das licenciaturas nas universidades com as escolas públicas a fim de que se valorizem estes dois espaços através de um trabalho conjunto entre docentes, discentes e do corpo escolar incentivando a pesquisa teórico-prática nas licenciaturas. Nesta perspectiva o PED atua ativamente ao estimular o contato dos discentes com a escola pública de modo a pesquisar este espaço de troca e a produzir diferença ao se relacionar, pois há o aparato do projeto. Durante o primeiro semestre de 2010 não atuamos como professores em sala de aula devido à greve dos servidores da rede estadual em Minas Gerais, por isso nosso primeiro contato com a escola aconteceu apenas em agosto deste ano.
 

A Escola Estadual Desembargador Horacio Andrade, onde desenvolvo o projeto, atende às periferias de Ouro Preto; somos cinco alunos-bolsistas nesta escola que não possui espaço físico para que as aulas de teatro aconteçam. Visto este problema pensamos que não poderíamos esperar da escola um espaço e começamos o projeto de intervenção no espaço escolar durante os recreios da manhã. Foi bom porque deste modo atendemos a quase toda a escola. Intervimos durantes os recreios de segunda-feira com propostas que mudavam a percepção temporal como andar em câmara lenta com frases sobre tempo coladas no corpo, e notamos que o estranhamento destas intervenções não é maior do que a curiosidade e a espontaneidade dos alunos. Além das intervenções montamos um grupo de documentário para falar do espaço escolar com adolescentes. Acredito que esses dois espaços de atuação na escola têm gerado respostas nos corpos dos alunos que estão cada vez mais ativos e participativos.




Antes de passar por uma sala de aula a Arte-Educação não ocupava em minha prioridade de atenção uma postura de Aluna de Licenciatura, mas depois que vi a possibilidade de trabalhar educação de modo a relacioná-la com o espaço do aluno ou do usuário, e a produção de reflexo no trabalho corporal e coletivo; e a dificuldade e necessidade de realizar trabalhos que estimulem relações são tão intensas como a performance e a, cena teatral. Ter contato com um corpo educacional e mental tão veementemente instituído como local de formatação.


 A partir das teorias educacionais construtivistas constatei que a inteligência humana não se reduz à capacidade de elaboração de raciocínios lógicos, mas da interação entre desenvolvimento cognitivo, afetivo e lógico, e estas informações foram desenhadas com a experiência, ganharam um corpo de possibilidade, reforçando-as.





[1] Corpo/espaço: O espaço relacional do indivíduo no meio.

Como coordenadora de Cultura do DCE-Consciência atuei do período de julho de 2009 a julho de 2010

Como coordenadora de Cultura do DCE-Consciência ajudei a projetar, produzir e executar o II Concurso de Bandas da UFOP, os Shows das bandas Bartucada, Ventania, Aliados 13 e Planta e Raiz na Calourada do primeiro semestre de 2010; produção, execução e apresentação das bandas Raiz de Jequi e O Teatro Mágico; criação produção  e execução as palestras do Cortejo de Idéias,   "Diversidade Sexual e Coisas do Gênero” e “O Eu feminino Hoje: Questões sobre a mulher na contemporaneidade”. Período de julho de 2009 a julho de 2010.


Para falar das ações no diretório é necessário uma breve contextualização da UFOP. Vivemos em uma cidade com imaginário de fraternidades; há fraternidades de Igrejas, de estudantes, de traficantes... As repúblicas estudantis seguem um sistema de hierarquia, onde quem entra deve “batalhar” de seis meses a um ano para ser morador da casa, até ser escolhido você é o bixo, e deve servir a casa, tinham que andar com placas de batalha na rua para a identificação da estética de cada moradia. Há um ideal de seguir uma tradição da casa pautada pelas regras do “decano” que é o mais fiel à tradição, pela aproximação temporal, o mais velho. Existem as repúblicas federais, as particulares, os autônomos e o a moradia social. Quando cheguei na cidade conheci um coletivo que reclamava o direito de moradias públicas com sistema social, os chamados “radicais”, porque a maioria das pessoas que moram nas “federais” eram de classe média. As particulares seguem o mesmo sistema dessas fraternidades, mas não tem humilhação dos “bixos”( é evidente que falo de um universo muito grande de moradias e não há como ter controle sobre esta afirmação), entretanto posso falar da observação da relação de diferentes modos de moradia que viam nas federais o centro do status deste modo de vida. O DCE-Consciência surgiu com a insatisfação de duas frentes, a dos radicais em minoria, e de um grupo das particulares, ocasionada por diversos estímulos, como aumento do número de estudantes com o REUNI, porque refletia diretamente na questão da moradia já que a Ouro Preto não pode aumentar seu território de construção por ser uma cidade tombada como patrimônio da humanidade.


Na gestão, conseguimos lidar com as diferenças de um grupo que representava diversos modos de lidar com o conhecimento e com diferentes posicionamentos morais. As ações propostas é que convergia nosso trabalho e que criou, assim possibilidades de relação entre afinidades e posicionamentos. Realizamos diversos eventos com o objetivo central de promover um espaço de encontro, e, portanto de comunicação entre todas as formas de pensamento que permeiam este universo, entre as áreas e os cursos (onde verificamos grande distanciamento, falta de comunicação e, portanto em variados momentos preconceito dos alunos).

Ao final da gestão havíamos conseguido realizar, palestras sobre gênero e homofobia (que é muito forte no contexto universitário), um ato público contra o aumento da passagem, que reuniu participantes de todos os agrupamentos de estudantes. Conseguimos, da vinda do Lula para a inauguração do PAC em Ouro Preto, verba para construção de trezentas moradias, fora do raio de preservação do patrimônio. Criamos, com a calourada, não apenas um espaço onde as pessoas tiveram contato com palestras com outras perspectivas de relação profissional, interligadas a movimentos de reflexão e resistência, como com outras linguagens estéticas e musicais com os almoços culturais. A festa serviu também para criar um espaço de praceamento, em que os grupos de afinidade têm contato porque o signo de festa que é muito forte entre os estudantes; entretanto esta festa fora construída para todos.


Penso que, apesar da larga divergência de perspectiva que tive e que mantenho a alguns acontecimentos, este local de atuação me amparou em reconhecer a legitimidade de existência dos mais contrários pontos de vista, ainda que discorde das estruturas em que o referencial se insere. Prevalece a lógica do respeito. E, criar junto com a diferença, ampara, reflete e enriquece as possibilidades.

No entanto, vejo que minhas ações com o espaço têm mais potência dentro do campo da Arte. Por isso, prefiro intervenções no espaço. O espaço me propõe a cada momento de relacionamento, e tenho a necessidade de propor no espaço na proporção em que a experiência afeta. E a experiência de propor variedades temporais, no tempo que me passa, possui maior potência de comunicação corporal, estética e ética.

Como atriz, atuei junto ao Projeto de Extensão Mambembe Música e Teatro Itinerante nos espetáculos Ciganos, 2008-2009; O Barão nas Árvores, 2008-2009 e Delírios de Will--Shakespeareações Musicais à Brasileira, 2009-2010:

Simultâneo ao final do processo do TCC passei em maio de 2008, no edital para participar do Projeto de Extensão Mambembe Música e Teatro Itinerante coordenado pela professora Neide das Graças Bortolini, do qual participei até o começo de 2010. O projeto apresenta-se uma vez ao mês nas comunidades periféricas de Ouro Preto. A cada ano de renovação, há a transcriação de alguma obra literária para a linguagem de teatro de rua, nas comunidades periféricas de Ouro Preto.

 Composto por alunos-bolsistas do curso de Música e Artes Cênicas, na época tinha cinco anos de existência e, quase todo o agrupamento de dezessete pessoas, estava saindo por se formar. Então fiz parte de uma transição de fase, pois havia mais integrantes que não tinham experiência no grupo. O formato de funcionamento se dá na divisão de seis núcleos, oficina, registro, produção, criação literária, de atuação e de música. Cada integrante fazia parte da encenação ou criação musical e de mais um núcleo. No início a estrutura de aparatos cênicos e de funcionamento me assustou, porque no meu referencial de teatro de rua estava intricada a experiência com o grupo TEMPO, em que realizávamos as ações sem necessidade de aparatos.

 Entramos no meio do processo de criação do espetáculo Ciganos, baseado na obra de mesmo nome do autor Bartolomeu Campos Queirós e, infelizmente não havia tempo de processamento de criação, portanto o trabalho ficou com pouca capacidade de comunicação.


 Além dos Ciganos, entramos em um espetáculo que já estava pronto, O Barão nas Árvores, de Ítalo Calvino, que fizera muito sucesso com o grupo anterior e devíamos pegar a substituição das personagens, portanto havia um receio de comparação, advindo da experiência com os Ciganos. Tivemos duas semanas para a substituição, pois já havia apresentação marcada e ninguém queria substituir por uma apresentação dos Ciganos, porque o processo fora curto e, devido a relações do grupo não estava bem trabalhado. Víamos em O Barão nas Árvores a possibilidade de ter satisfação artística. Devido ao tempo de substituição, no entanto, o espetáculo não foi processado em ensaio, mas na rua mesmo.




 O cotidiano do grupo é de um a dois ensaios semanais e um ensaio no sábado, de oito da manhã, às dezoito da tarde. Em setembro de 2008 tínhamos que começar a preparar a próxima montagem e para isso fomos para uma imersão de processo no Solar da Mímica em São Paulo, com a oficina Mímica Ativa de Alberto Gaus. Este é o momento de mudança na vida de nosso agrupamento. Devido ao atropelo dos processos anteriores, aprendemos com as reações que a rua nos dava de reflexo, entretanto nossa relação de grupo ainda era cheia de rusgas, parecia-me que estávamos juntos pelo grupo, mas pouco com/pelos parceiros. Após esta imersão, de uma semana onde trabalhamos uma técnica que envolvia o relacionamento dos atores na criação, pois a ênfase estava em não colocar aparatos de representação e sim o exercício de estar aberto ao que o momento e a interação com o outro propõe, pautado por uma idéia de que o corpo reage a essas interações, e que o pensamento, a reflexão no momento de cena, o objetivo de significar algo, fecha as possibilidades de relação, então a potência criativa do momento. Nesta oficina entendemos em grupo que a relação interpessoal criada em processo coletivo vai para a cena, ainda que camuflada por aparatos técnicos. Desconstruímos uma série de pensamentos a partir de então, como o problema regularmente enfrentado pelos atores de trocar referenciais de perspectivas na relação com o trabalho uns dos outros. A partir de então os relacionamentos entre nós, passaram a ter ênfase, não em um campo terapêutico, mas ocupado com o corpo coletivo do grupo.


O Novo processo foi construído a partir da MPB e de Willian Shakespeare. Neste lugar, levamos a criação da cena, como a criação coletiva porque tínhamos o objetivo de pesquisar em profundo a relação da música e da cena na tentativa de viver a mesma intensidade. A voz de canto para a rua fora trabalhada com a mesma dedicação que a criação dos personagens, pois uma área se alimenta da outra (até então, fazíamos técnica vocal, mas parecia que a música, por ser um grupo de menos pessoas, servia à cena). A proposta foi de que todos são criadores ali, um processo colaborativo de um grupo de quatorze pessoas. Quando fomos pra casa, nas férias entre o processo, já tínhamos “achado” os personagens, que se deram na relação e experimentação de personagens das tragédias de Shakespeare, e de estímulos de criação de personagens com a técnica da Mímica Ativa, sob direção da integrante e amiga Iza Lanza. Líamos as tragédias de Shakespeare e cada ator trabalhava as relações entre grupo em cima de uma personagem específica. Minha personagem se deu em uma relação com o processo de querer ser uma rainha, entretanto dentro dos acontecimentos do ensaio, este desejo era relacionado mais como uma loucura. Lembrei-me da Rainha Margareth de Ricardo III, que fazia escárnio a todos e prenunciava os acontecimentos, pois perdera seu reino, ainda que vivesse dentro dele. A relação periférica que desenvolvi com os parceiros em processo me situou fora do reino. Um dia Iza veio com a história da Sinhá Olímpia, figura de Ouro Preto que contava histórias do tempo de Tiradentes e do reinado como se tivesse participado. Moça de família rica que dizem, por paixão enlouqueceu, fazia chapéus e roupas de lixo e tinha uma bengala. Foi a imagem perfeita para minha pesquisa. Minha personagem virou a Sinhá Margareth, rainha do lixo com o seu parceiro Eduardo (uma bengala com rosto).


O processo de criação das personagens, feito através da relação entre atores, objetos, exaustão física foi similar ao processo do Jogo dos Quatro Atores, até porque a diretora fora uma das atrizes/performers, entretanto com outra energia, pela proposta e pelas respostas de cada um. A partir dessas relações o dramaturgo Juliano Mendes, criou o texto Delírios de Will—Shakespeareações Musicais à Brasileira. A maior dificuldade do grupo foi de montar uma estrutura cênica para dar conta da multiplicidade em que o texto de quase cem páginas fora criado. Em maio de 2009, o espetáculo estreou com muita tensão, um parto. E a partir daí, o corpo de uma hora e quarenta minutos da estreia tomou o corpo de uma hora. Cada apresentação mais uma criação.



É interessante observar, como no teatro de rua, o espetáculo cria o corpo do espaço. O reino de Lixo era uma parte que deslocava o público para outro espaço, portanto para cada apresentação, um estudo prévio do local era necessário. Sempre o foi, como a participação ativa do público no espetáculo através desta cena sempre me pareceu importante, mas antes dos Delírios não era praticado. É interessante ressaltar que a característica por gosto de modos de trabalho de cada ator também foi pra rua e enriqueceu muito o espetáculo. Nesta cena de deslocamento, eu criava um reino imaginário com o público, e após a criação questionava a plateia sobre o que me faltava até chegar à resposta rei, e então mandava um séquito de guardas com armaduras de caixa de ovo e arminhas de água buscar meu rei, até que o rei da peça, cagão e cego, encontrava meu reino. Entretanto o que acontecia no entre deste roteiro e acontecia na relação com o público. Um novo elemento que incorporamos a partir das respostas da rua nos espetáculos anteriores, foi o distanciamento que fazíamos ao trocarmos de roupa para os coros que aconteciam na trajetória do espetáculo.


 

O deslocamento e o isolamento na apresentação, são reflexos de minha relações na criação, ou a grande dificuldade que tinha com meus colegas, em que parecia que todas as minhas propostas eram rejeitadas ou não eram “fortes”. Me descobri impositora nas relações e pulsando um modo teatral, que muito tinha que ver com a Performance, na necessidade de criações sempre atualizadas no tempo. Sou muito grata a esta tomada de parte com o grupo porque vejo que tivemos liberdade, cada ator, de colocar o seu modo de atuação para a criação dos personagens. Na estreia tivemos uma hora e quarenta de apresentação, pense isso para a rua. Excedeu muito a expectativa do público, mas o espetáculo era forte porque a construção dos personagens nos de força dentro da estrutura, que fora fechada em cenas que funcionavam como blocos quase autônomos do todo, e por isso sustentavam a presença do público. Vimos a necessidade de diminuição do tempo para a fruição da “história”, que era uma necessidade vista pela coordenadora e criadora do grupo, Neide das Graças, e por conseguinte, de grande parte do grupo. Conseguimos diminuir para uma hora e vinte minutos. Fizemos nove espetáculos comigo, mas depois de uma apresentação no bairro Pocinho, em que a partir de uma brincadeira que propus com as crianças de pega o rei, em meu deslocamento, elas entraram na cena de vez, reagindo conosco, desrespeitando a “ordem” das ações, felizes quando ao final todos os personagens morrem, apoiando o Psiu, que tomara a coroa do rei, batendo em mim e no rei Cagão, por representarmos personagens “fracos” no sentido capitalista, pois íamos contra o estado e o poder. O grupo não aguentou estas intervenções, não soubemos, deslocar da estrutura para uma situação emergente, mesmo com a segurança da criação de improvisação que nos gerou o espetáculo. Concordei, apesar de me rasgar por dentro, que as apresentações na comunidade seriam sem o deslocamento do Reino de Lixo e a cena das bruxas. Apenas apresentaríamos inteiro para público que já tivesse algum contato e aguentassem o tamanho da estrutura. Minha última apresentação junto ao espetáculo foi aqui em Salvador, para o ENEARTE em setembro de 2009. Foi muito importante e marcante para mim, que estava atravessada por uma cidade que me provocava os sentimentos mais paradoxais que já tivera.



Entendo que o corte de minha cena, faz parte, primeiro de minha dificuldade inicial de me relacionar em criação, e depois pelos aspectos de descontrole que suscitavam em cena, e deixavam todo o grupo na expectativa do que poderia acontecer. Sou extremamente grata a este processo e a todos, pois me ajudou muito a ter clareza dos elementos que me provocam para a relação de cena e da importância das relações na criação de qualquer momento de vida. Vi que gosto de trabalhar com tempos que trabalhem a partir de expectativas de público e com interação, e intervenham na apreensão linear. Passei pelo inferno de ter de abrir mão da parte pelo todo, mesmo que não concorde com razão, mas vi que a razão está no sentido dos que propõe a ação.




A apresentação em Salvador, na UFBA do campus Ondina aconteceu no dia 26 de setembro 2009. Desde então o espetáculo já tinha um corpo de cinco meses, em que havíamos passado as mais diferentes recepções, e estávamos seguros quanto à qualidade do trabalho, que cada vez ganhava mais nuances. Cada local e público propõe uma apresentação, mas interessante a anotação de reação de público que tivemos em Salvador. No começo do espetáculo estávamos com a energia muito alta (até porque teve um cortejo maravilhoso levado pelo projeto de extensão Pau e Lata), no entanto, logo pegamos um ritmo ralentado. Não sei se é pelo calor e pelo fato de as roupas terem sido projetadas pro frio. É interessante ressaltar que não conseguíamos ler a reação da platéia durante o espetáculo. Apresentávamos em Ouro Preto para os mais diversos públicos, pra pessoas que nunca tinha tido contato com teatro, como na comunidade do Pocinho onde as crianças invadiram a cena, e quando os personagens morriam (porque todos morrem), davam risada, gritavam mais um, iam ver se estávamos mortos, batiam no rei cagão e em mim (pela aproximação de que representávamos, a pobreza o bobão), e mesmo neste espetáculo, conseguíamos ler a reação a plateia por mais ou menos que conseguíssemos dialogar com as reações. Em Salvador, as risadas vinham em locais que jamais pensamos. Quando acabou o espetáculo, que para o grupo e para o público de Ouro Preto tinha sido fraco, sem corpo, vimos que as pessoas adoraram. Não dá pra se prever reação de público e fora do local de campo cultural, ainda menos.




Ao final de 2009 sai do grupo como aluna-bolsista, mas ainda realizei algumas atividades de acompanhamento do espetáculo e como oficineira, porque no Mambembe não há como sair no particípio. Saí pela necessidade que tinha de pesquisar a performance, porque não tinha tempo para me dedicar ao grupo e a outra pesquisa. O Mambembe tem como parte de seu projeto o núcleo de oficinas, do qual eu fazia parte, que deve desenvolver todo ano ao menos uma de cada oficina que o grupo tem em sua proposta. As oficinas desenvolvidas são de produção de texto, de jogos teatrais, de musicalização e de expressão corporal. A exemplo de minha participação como voluntária estão as oficinas ministradas na cidade de Cachoeira do Campo, em Mariana, para graduandos do curso de Pedagogia e em Belém do Pará no IDEA, congresso, o qual tratarei mais adiante nesta teia de memória.

 Entretanto foi em Serra Negra que aconteceu a relação mais profunda que o núcleo de oficinas estabeleceu com o lugar na minha caminhada com o grupo, Porque não apenas as oficinas foram ministradas, como também houve acompanhamento da comunidade no processo criativo da cena. Fomos para Serra Negra a fim de ministrar as oficinas e de ensaiar para o espetáculo Delírios de Will em abril de 2009, e voltamos para apresentar o espetáculo em agosto daquele ano. Em Serra Negra O Projeto Luz que Anda foi desenvolvido com o intuito de trabalhar a Arte/Educação com professores, pedagogos e alunos no município de Serra Negra, abrangendo também professores das cidades vizinhas como Divinópolis. Este projeto propõe intercâmbio com a Universidade de Hostock, na Alemanha e conta com a participação direta de integrantes da comunidade acadêmica em intercâmbio com Serra Negra.



Em junho de 2010 tivemos a felicidade de festejar a publicação do primeiro livro do grupo, que continha seu histórico até as apresentações de Ciganos e O Barão nas Árvores. Em fevereiro de 2011 foi a vez do segundo livro do grupo com o histórico dos espetáculos Delírios de Will e O Cavaleiro Inexistente.